Os riscos de uma viagem papal à Africa

346
  • Italiano
  • English
  • Español
papa aereo

O desafio do medo. De 25 a 30 de novembro, Papa Francisco estará na África. Uma viagem que pode ser definida como uma viagem de risco. Ameaças ainda mais concretas surgem após a situação de Paris. Mesmo assim, isso não impedirá Papa Bergoglio de cumprir sua missão. Mas por que tanta apreensão em comparação a outras viagens?

Os serviços secretos franceses e de inteligência de outros países alertaram há muito tempo sobre o risco de um atentado contra o papa em Bangui, capital da República centro-africana. O motivo do alarme se deve ao fato que, exatamente na última etapa da viagem, a situação é um tanto quanto instável. Desde 2013, acontece o confronto armado entre guerrilheiros muçulmanos (que compõem a aliança Seleka) e os anti balaka, grupo composto por cristãos, que formaram uma milícia de autodefesa alegando que “exército não era capaz de conter os rebeldes”.

Sem contar que, em Bangui, virão peregrinos das nações vizinhas, como Ciad, Nigéria e Camarões, países onde a presença jihadista é considerável e terroristas poderiam se infiltrar entre os fiéis. A República centro-africana não dispõe de força de segurança capaz lidar com situações extremas, caso aconteça um ataque semelhante ao de Paris. A abertura da porta santa da catedral de Bangui, ato oficial de início do Ano da Misericórdia, receberá um forte reforço de militares locais com o auxílio de forças especiais francesas, as quais oferecerão apenas ações de suporte a uma fronte defensivo que não é dos melhores. A etapa em Entebbe, na Uganda, parece a menos problemática em relação à segurança, já que o país vive uma certa estabilidade e as condições sociais são certamente menos tensas que no resto da África.

Os riscos em relação a essa viagem apostólica estão presentes em todas as etapas. E é exatamente o primeiro compromisso do papa que merece uma certa atenção. No Kenya, onde o papa começará a sua missão, está na mira do grupo Al Shabaab, da Somália, que já assumiu a autoria de diversos ataques. O último aconteceu na universidade de Garissa onde, em abril de 2015, 147 estudantes cristãos foram mortos. No Quenia, os cristãos representam 85% da população, mas o empenho do exército do país, no contingente africano presente na Somália para estabilizar o país, é considerado, pelo grupo ligado ao Al Qaeda, um ato guerra, o que faz do Quenia um inimigo em potencial.

Nesses últimos dias, uma publicação gerou um alerta. Na última edição da revista Dabiq, do Isis, publicada no dia 18 de novembro, a qual trouxe na capa a tragédia de Paris, são feitas ameaças explícitas ao papa; de fato, é possível ler a entrevista de Abu Muharib, um mujahib (combatente armado) que deixou Al Shabaab para jurar fidelidade ao estado Islâmico. De acordo com seu depoimento, estaria acontecendo uma “deserção em massa” da Al Qaeda na Somália. Tal êxodo,  segundo Muharib, pode vir a ser extremamente útil para os planos da Al Baghdadi, o iraquiano considerado o “califa” do ISIS, já que possibilitaria o aumento de sua influência e de sua hegemonia sobre os grupos jihadistas.

Coincidência inquietante foi que na edição anterior da revista Dabiq se apresentava Abdelhamid Abaadou, o belga considerado o mentor dos ataques na capital francesa, homem gravita na “galáxia jihadista” onde se realizará a visita do Papa.

Por fim, à página 66 da edição de número 10 da revista do ISIS, Papa Francisco é citado juntamente com o Gran Mufti Rahmi Yaran em Istambul. Um é retratado como “o papa cruzado” e o outro “o erudito do governo apóstata”, interpretação inspirada em palavras atribuídas a Maomé: “O profeta de Allah afirma: ‘Chegará o tempo em que o Conhecimento será tirado das pessoas […] Serão eliminados os seus representantes (os mais eruditos e compassivos)’ “. O estado Islâmico nunca escondeu nenhum de seus planos macabros e essas ameaças publicadas, sem dúvida, já tem feito muitos perderem o sono.

(Tradução: Mirticeli Medeiros)

Avviso: le pubblicità che appaiono in pagina sono gestite automaticamente da Google. Pur avendo messo tutti i filtri necessari, potrebbe capitare di trovare qualche banner che desta perplessità. Nel caso, anche se non dipende dalla nostra volontà, ce ne scusiamo con i lettori.

SEM COMENTÁRIO